Nostalgia: Os 20 Anos de Máfia no Divã

Máfia no Divã, comédia de ação do final dos anos 90, é como vinho: se torna melhor com o tempo e só vai melhorando a cada degustada (ou a cada assistida neste caso).

Mafia5Além de misturar comédia com ação, coisa que poucos filmes conseguem fazer com sucesso, este filme ainda mistura dois assuntos que muitos podem interpretar como delicados separadamente, mas que, juntos, se tornaram irresistíveis: máfia e psicologia.

No caso da máfia, não havia outro ator melhor para interpretar o chefão da máfia como o grande Robert De Niro, conhecido por seus papéis em Os Bons Companheiros, Poderoso Chefão 2 e grande parceiro de Martin Scorsese, que recusou a direção do filme e, curiosamente, no mesmo ano dirigiu o péssimo Vivendo no Limite, estrelado por Nicolas Cage.

Já no caso da psicologia, o filme respeitou a área e apresentou para o público geral de forma inteligível, sem estereótipos, trazendo um Billy Crystal mais contido e não perdendo em nada para sem parceiro de cena.

Aliás, a química entre De Niro e Crystal é um dos fatores do sucesso do filme.Mafia2

E o elenco ainda conta com Lisa Kudrow, na época em alta com a série Friends e hilária como a esposa (ou não!) de Sobel (personagem de Crystal).

Na história, Paul Vitti (De Niro) é um mafioso poderoso e respeitado, mas que enfrenta crises de stress, ansiedade e pedir ajuda psicológica a Sobel, que passa de um humilde psiquiatra a perseguido pelo FBI e cúmplice de várias situações bizarras.

Quem dirige o filme é Harold Ramis, que anos depois havia dirigido o excelente Feitiço do Tempo e aqui faz uma brilhante direção de atores e na condução de sua história, que consegue equilibrar as transições de gênero de forma fluida, consistente e, claro, muito cômica.

Mafia4Como não lembrar de momentos memoráveis como as conversas e interações entre médico e paciente, as férias e casamento frustrados de Sobel, além da hilária reunião da máfia no terceiro ato – isso só para citar algumas cenas.

E não deixem de reparar nas referências aos clássicos da máfia, como a cena de sonho de Sobel (quase idêntica e uma cena de Poderoso Chefão), mas também há referências a Bons Companheiros e Era Uma Vez na América (ambos com De Niro).

Tudo isso embalado pela ótima trilha de Howard Shore (que anos depois ganharia 2 Oscar pela trilha marcante de Senhor dos Anéis).

Outra curiosidade sobre o filme é que, no mesmo ano de 1999, a HBO estreava a série Família Soprano, série que também tratava sobre um mafioso que procurou ajuda psicológica (e que vale ser vista ou revista!)Mafia3

Mas se Máfia no Divã é um grande filme, o mesmo não se pode dizer de sua desnecessária continuação de 2002: A Máfia Volta ao Divã, que, afundou nas bilheterias e foi destruída pela crítica.

Máfia no Divã não é o melhor trabalho de nenhum dos nomes envolvidos, seja dos atores ou diretor (é difícil contra Feitiço do Tempo) no currículo, muito menos se tornou clássico, mas misturar crítica social em um filme de máfia, com elementos de psiquiatria, ação, humor, violência e ainda resultar em um filme para a família, onde o espectador vai sair com um sorriso no rosto é uma tarefa para poucos.

Seria exagero chamar Máfia no Divã de filme subestimado?

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Nerd: Raphael Brito

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