O Menino Que Queria Ser Rei traz nova roupagem ao Rei Arthur

A Hollywood atual está assim: nada se cria e nada se copia, porém, tudo se transforma, como aprendemos em química. Continuações, reboots, franquias e histórias de antigamente voltando.

Neste cenário, não é surpresa nenhuma que a história do Rei Arthur voltasse aos cinemas, o que pode parecer estranho para quem é adulto, já que o filme sobre a lenda, dirigido por Guy Ritchie, ainda está muito recente e a ideia de reciclar uma história já conhecida parecia tão oportunista quanto à falta de criatividade em Hollywood.Rei4

Mas o que torna O Menino Que Queria Ser Rei um filme diferente e atraente? Ok, ele fala de uma história já conhecida, mas aqui ele tem o foco para o público infantil e passado para os dias atuais, o que torna mais fácil a identificação com as pessoas.

O Menino Que Queria Ser Rei se passa em Londres, na Inglaterra, onde somos apresentados ao garoto Alex (Louis Serkis, filho de Andy Serkis), órfão de pai, com conflitos com a mãe, sofre bullying na escola e seu único amigo é o hilário Bedders (Dean Chaumoo).

Rei1Em uma noite, após ser hostilizado, ele acaba caindo em um canteiro de obras abandonado, descobre a espada Excalibur e também descobre ser o único capaz de derrotar Morgana (Rebecca Ferguson).

É fácil falar mal de O Menino Que Queria Ser Rei e aponta-lo como um “filme de criança” ou “isso não é verdade”, mas é justamente essa a proposta do filme: pegar o público infantil e captar a magia, tão esquecida no mundo atual.

Se o filme fosse feito nos anos 80 ou 90, provavelmente ele se tornaria clássico da Sessão da Tarde e programa obrigatório da programação de fim de ano da TV, mas ele está estreando em 2019, tempos de streaming, youtube e dos filmes de super-heróis. Ainda é cedo para dizer se o filme fará sucesso ou não.Rei3

A ideia de um elenco desconhecido nos papéis principais e atores de ponta como Patrick Stewart e Rebecca Ferguson em papéis secundários foi, obviamente, financeira, porém ousada e embora nota-se um esforço do elenco mirim, também é notável a falta de carisma e um envolvimento maior com seu público.

Mas o que mais incomoda em O Menino Que Queria Ser Rei, além da falta de carisma do elenco e do CGI que já nasceu datado é a falta de foco do filme: ao passo que não se deva levar a sério a parte fantasiosa do filme e usar a suspensão de descrença, o filme sim se leva a sério, sobretudo em seu primeiro ato, com os dramas do protagonista, seja na escola ou em casa.

Rei2E o roteiro do filme é problemático até na parte fantasiosa: Kaye e Lance, praticantes de bullying e quase vilões do filme, se tornam as pessoas mais legais do nada. Rebecca Ferguson, que está em Missão Impossível e é uma boa atriz, é muito desperdiçada como vilã e praticamente só aparece no terceiro ato.

Mas nada disso apaga as qualidades que o filme tem: Patrick Stewart se diverte no papel de Merlin, assim como a versão jovem do personagem, vivido pelo ótimo Angus Imrie e o personagem sempre parece estar à frente dos outros, inclusive dos vilões. A cidade de Londres é praticamente um personagem do filme e junto com toda a magia presente em tela, remeteu aos primeiros filmes de Harry Potter e assim como a franquia do bruxo, pode fazer com que uma geração tenha o hábito e gosto pela leitura.

Não há de duvidar de um sucesso e franquia de O Menino Que Queria Ser Rei, pois além de ser irresistível para o público infanto-juvenil, pode inspirar para que outros clássicos da literatura voltem aos cinemas e com nova roupagem. São duas mídias que podem e devem se unir.

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Nerd: Raphael Brito

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