Tormenta RPG, A Flecha de Fogo e o Akzath

Tenho que começar pedindo desculpas.

As vezes, pela minha idade, eu me sinto muito novo para falar de quase tudo, mas vou tentar fazer justiça ao tema do texto!

Quando Tormenta RPG foi publicado, eu tinha 5 anos (caramba, faz tempo). A revista Dragão Brasil estava na sua 50ª Edição, ainda era publicada em banca, o Brasil ainda era Tetracampeão e eu era muito mais inocente…

Demorou quase 10 anos para que alguém me apresentasse ao conceito de RPG, não sei como, um livro de 3D&T parou na minha mão. Fiquei fascinado, mas admito que eu não entendia direito como tudo aquilo funcionava. Foram mais 9 anos até criar coragem e jogar com um grupo algum cenário, história para outro momento.

Em 2015, participei de um projeto de programa de tv que durou três meses, mas uma das coisas mais legais que aconteceram lá foi ter conhecido pessoas sensacionais envolvidas em diversas áreas, uma dessas pessoas, um convidado de um dos programas, J.M. Trevisan, um dos autores de Tormenta. Por conta dessa participação passei a segui-lo no twitter, e conhecer mais sobre o trabalho que era desenvolvido pela editora, e ali fui introduzido ao que era de fato, o universo de Tormenta.

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Esse ano, tomei a decisão de visitar o estande da editora na Comic Con Experience e trocar ideia com os autores, quem sabe comprar um livro, ou até um sistema de RPG e tentar criar um grupo. Lá, estava tendo o lançamento de um novo romance de Tormenta, A Flecha de Fogo, escrito por Leonel Caldela, um autor que eu já conhecia por acompanhar seu trabalho nos romances do Nerdcast de RPG. Então, sabia que a escrita de Leonel não seria estranha, talvez o mundo, já que eu não conhecia nada do cenário, mas dei um voto de confiança e saí do estande carregando dois romances e um livro jogo!


 

O que é a Flecha de Fogo?

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A Flecha de Fogo é um mistério antigo do cenário de Tormenta, sendo parte de uma profecia que falava do surgimento de um vilão. Thwor Ironfist, que unificaria as tribos Goblinóides e tomaria todo um continente do mundo sob seu estandarte. Esse era o conhecimento que eu tinha sobre o tema central do livro. Basicamente o que você vai ler na sinopse.

Então, quando comecei a ler as primeiras páginas, eu me surpreendi por não estar me sentindo perdido.

A Flecha de Fogo não é o primeiro romance de Tormenta. Se passa em um cenário já consolidado, tem personagens novos mas fala também de acontecimentos do mundo que os mais antigos no cenário conhecem por detalhes.

Mas ainda assim, o livro é muito amigável com novos leitores.

Leonel Caldela tem uma escrita fácil no melhor dos sentidos, a narrativa flui de forma leve construindo cada aspecto do mundo de maneira muito orgânica diante dos seus olhos, a sensação, para um leitor novo, é que o mundo de Arton surgiu para essa história.

Os personagens são cativantes de uma maneira absurda, o que acaba sendo um problema, pois é fácil se apegar apenas para que o autor consiga destruir seu emocional com mais efetividade. De certa forma, parece até que Leonel tem um apreço por destruir sonhos e esperanças. Ele faz isso com seus personagens, e faz isso com seus leitores.

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Um dos conceitos do livro, é o Akzath, uma palavra da língua criada pelo autor para representar o idioma Goblinoide, que significa “O Agora Aberto de Tudo” e basicamente pode ser compreendido como uma maneira não linear de se ver o tempo. O que fazemos no presente ecoa e ressoa no futuro, e nossas escolhas agora são por conta do que vivemos e fizemos no passado, atraindo para si ou repelindo conceitos amplos como a Morte, a continuidade, a mudança, a ignorância ou o conhecimento. Teoricamente, onde você se posiciona no Akzath representa o que você está repelindo e atraindo para você.

O Autor pede, é claro, que nós não tomemos a filosofia goblinoide para o mundo real, pois não faria sentido no melhor dos casos, e, eu incluo, poderia colocar você na cadeia em vários outros! Mas após terminar a jornada de mais de 730 páginas, estar tão imerso nessa cultura é tão normal, que foi quase instantâneo eu pensar que há 3 anos, quando conheci pessoalmente um dos autores de Tormenta e passei a acompanhar os trabalhos desse cenário, eu estava me posicionando no Akzath o mais próximo do conhecimento, para que um dia esse livro viesse a cair em minhas mãos, e eu pudesse me apaixonar por mais um universo.

O Universo incrível de Tormenta, no mundo de Arton, regido por deuses benéficos e maléficos. Criado por pessoas ainda mais interessantes, e vivo, através de obras escritas por mentes sádicas, perversas porém brilhantes como a de Leonel Caldela.

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Nerd: Matheus Farina

Após 24 verões, percebeu que as roupas não se lavam sozinhas. Começou a cozinhar aos 17 e desde então não parou mais. Acredita que é possível que exista no futuro a carreira de Noob Profissional de videogame, então, segue sendo medíocre e se divertindo muito. Single Player, RPGista e Card Gamer. Acha muito egocêntrico falar de si mesmo...

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